terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Yuki song (Deep Forest)

Throwing sparks at my frozen angel (Jogando faíscas no meu anjo congelado)
Gathering the words to coax the fire to start (Juntando palavras para forçar o fogo a começar)
Throwing sparks at my frozen angel (Jogando faíscas no meu anjo congelado)
Words to melt the ice around your pretty heart (Palavras para derreter o gelo ao redor do seu lindo coração)

Turn the ice to water, the water into flood (Transformar o gelo em água, a água em inundação,)
The flood becomes a river, a river of pure love (A inundação se torna um rio, um rio de puro amor)
Love comes into delta, nourishing the sea (Amor vem em delta, nutrindo o mar)
Sea goes out to ocean (O mar sai para o oceano)
Ocean endlessly (Oceano infinito)

Throwing sparks at my frozen angel (Jogando faíscas no meu anjo congelado)
Gathering the words to coax the fire to start (Juntando palavras para forçar o fogo a começar)
Throwing sparks at my frozen angel (Jogando faíscas no meu anjo congelado)
Words to melt the ice around your pretty heart (Palavras para derreter o gelo ao redor do seu lindo coração)

The second before you walk into the room (O segundo antes de você entrar na sala)
I had no thoughts of love whatsoever (Eu não tinha pensamentos de amor de qualquer natureza)
Love was not on my mind (Amor não estava na minha mente)
Nothing but my life, (Nada, mas a minha vida)
My life was all settled in, (Minha vida estava estabelecida)
It was just the way it needed to be (Era tudo que eu precisava que fosse)
And I fell upon you (E eu cai por você)
Like something out of the blue (Como algo inesperado)
It was out of the blue, I didn't know (Era inesperado, e eu não sabia)
I didn't see it coming (Eu não percebi acontecendo)
But it came upon me (Mas isso veio sobre mim)
And it held a hold on me (E isso manteve um poder sobre mim)
Took a hold on me (Apoderava-se de mim)
And I could not help but believe (E eu não poderia deixar de acreditar)
I have faith in this thing (Eu tenho fé nisso)
I have one chance in my life and I must take it (Eu tenho uma chance na minha vida e eu tenho que agarrá-la)
And I've got to give it to you and I will not let it go (E eu tenho que dar isso a você e eu não vou deixar isso ir)
I will not let it go (Eu não vou deixar isso ir)
It's the only thing I can believe in (É a única coisa em que eu posso acreditar)
Oh, I can believe in (Oh, eu posso acreditar)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Aquarela

Ninguém tem dúvida de que os relacionamentos são difíceis, a convivência é um desafio e vários sentimentos (gratidão, compaixão, dependência) surgem disfarçados de amor. Separar o joio do trigo exige um nível de introspecção e autoconhecimento que poucos estão dispostos a enfrentar. Eu sempre me surpreendo com pessoas que não aceitam o fim de um relacionamento. Como assim, "não aceitam"? É possível obrigar alguém a amar outra pessoa? É possível obrigar alguém a continuar vivendo com quem não se ama mais? Como será que as pessoas que "não aceitam" o fim de um relacionamento lidariam com a morte? Sim, aí o bicho pega, lidar com a ruptura involuntária dos dois sem ter com quem reclamar ou perseguir, significa aceitar que não nos cabe decidir o destino. Só assim é possível ter a exata dimensão de como somos pequenos e impotentes. Como ninguém pode antever o futuro e se preparar para perder o controle sobre a própria vida, é sempre bom ler um pouco mais de poesia para entender melhor a nossa essência...


E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...

domingo, 4 de dezembro de 2011

Beleza americana (olhe bem de perto)

O filme Beleza Americana é perturbador em vários sentidos porque mostra que o ideal da família feliz em comercial de margarina e outdoor de empreendimento imobiliário, é uma farsa. A família padrão branca, com um casal de filhos (é sempre um casal, já repararam?), financeiramente bem sucedida e vivendo em plena harmonia, esconde muitos segredos. Alguns segredos são patéticos, outros apenas um clichê, mas alguns são assustadores de verdade. As relações humanas são complexas, mas nada é mais complicado do que a tessitura de uma relação a dois. As mágoas irreversíveis podem gerar um jogo perigoso onde nem sempre a vítima e o opressor assumem papéis claros. Por que um oprime o outro? Por que o oprimido permite se sujeitar à todo tipo de opressão? Quais os mecanismos que mantém o processo de loucura das pessoas disfarçados em uma família feliz? Alguns autores usam o termo "família disfuncional" para explicar o que acontece nos subterrâneos dos relacionamentos, mas penso que não é tão simples assim. Fico angustiada por não ter as respostas e já vivi algumas experiência nesse contexto. Só sei de uma coisa: quando se escolhe ser transparente e viver os relacionamentos como eles são, não se pode usar máscaras. Sem máscaras, a vida fica um pouco mais dolorida, mas infinitamente mais fácil de viver.

domingo, 20 de novembro de 2011

Mamãe, você é negra?

Semana passada, ao voltar de viagem, fui surpreendida com a seguinte pergunta de D. Maricota: - Mamãe, você é negra? Segundo ela, a escola está trabalhando o tema e todos nós somos brancos, índios, negros etc. O Sr. T era militante do movimento negro e só fui entender o que significava as políticas afirmativas depois de conviver com ele. Ele sempre dizia que D. Maricota poderia se reconhecer como negra dependendo do grau de inserção na cultura negra e do nível de aproximação dela com as questões étnicas, independente de sua aparência. O pensamento dele representava uma corrente do movimento negro que acredita que a questão da etnia está além da cor da pele (existem outras correntes não pensam assim). Obviamente, D. Maricota ainda era muito pequena para captar a dimensão das nossas discussões, mas quando uma criança de seis anos (que sequer sabe ler) reflete sobre a sua própria cor e a sua herança étnica, podemos ter esperança de um futuro melhor.


- Mamãe, você é negra?
- Ahn, hum, ahn... Não, filha, não sou.
- Você sabia que todos nós somos negros, brancos e índios?
- É mesmo?
- É sim! E você sabia que eu posso escolher ser negra? Porque papai era negro, não era? Então, eu também posso ser negra!
Ah, como o Sr. T ficaria feliz em ouvir esse discurso da sua filha querida!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

No aeroporto

Sexta-feira, final de tarde no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. A fila para o táxi era quilométrica e um casal conversava, trocando impressões sobre o filme "Namorados para sempre (Blue valentine)".


Ela: Você não devia ter pedido para eu ver esse filme, enquanto eu assistia eu só pensava: "mas que filho da puta"!
Ele: Eu sei que o filme é pesado, é uma desconstrução terrível dos relacionamentos.
Ela: Fiquei impressionada como ele era apaixonado por ela no começo e faz de tudo para ficar com ela, até assume a filha que não era dele! Não é uma história de amor, ela não gostava dele de verdade...
Ele: Mas eu gostei muito da forma como eles se relacionam no começo, ela dançando para ele na rua é muito lindo.
Ela: E a cena final?
Ele: Eu chorei naquela cena!
Ela: Mas você nunca passou por isso! Eu sofri muito, você não faz ideia de como o filme me afetou! Fiquei arrasada...
Ele: Eu achei que a Michelle Williams estava fantástica, o filme é maravilhoso...
Ela: Sim, ele mostra como as pessoas podem mudar (e como mudam nos relacionamentos!). Será que isso vai acontecer com a gente também?

Durante a conversa, os dois interrompiam o diálogo e trocavam beijos delicados e apaixonados ao mesmo tempo. Depois de quase meia hora na fila, quando o casal já estava chegando no embarque do táxi, eles se deram conta que as pessoas ao redor estavam prestando atenção na conversa dos dois, sem sequer disfarçarem o interesse. Acho que se demorasse mais quinze minutos, o povo ia começar a dar palpites na conversa dos dois! Sinceramente, não sei o que atraiu a atenção das pessoas (a conversa, a relação dos dois, o toque...), só sei que aquele relacionamento era realmente especial...

domingo, 13 de novembro de 2011

Fim de caso

Já faz muito tempo que assisti "Fim de caso", mas uma das coisas que mais me impressionou no filme foi o poder do sacrifício silencioso. Lembro da minha chefe (uma dondoca afetada e sem-noção) que adorava contar para todos (principalmente nas reuniões e quando tinha público) o quanto ela era generosa com as pessoas necessitadas. Eu sempre desconfio muito de quem faz alarde das boas ações... O filme tem como pano de fundo a guerra na Inglaterra de 1939. Sarah Miles (Julianne Moore) é casada com Henry (Stephen Rea), mas vive um caso de amor com Maurice Bendrix (Ralph Fiennes). Um dia, depois de um intenso bombardeio no local onde os dois estavam, Sarah sai da vida de Maurice sem qualquer explicação. Ele alimenta um ressentimento profundo por ela e descobre depois que ela fez uma promessa para que ele sobrevivesse ao bombardeio. Já conheci muitas pessoas que se apegam ao outro de forma negativa, quase parasitária. São capazes de qualquer coisa para manter o seu (suposto) objeto de amor, não importa em que condição ou a que preço. Algumas radicalizam ao ponto de achar melhor o seu amor morto do que feliz com outra pessoa (sim, são muitas pessoas que agem e pensam assim). Depois de tudo que eu vivi até hoje, consigo lidar com o amor de outra forma, não porque eu seja especial ou conheça algum segredo, mas porque é a única forma possível de lidar com os meus sentimentos. Diariamente, eu pratico o desapego das coisas e das pessoas e tenho certeza de que hoje eu estaria preparada para abrir mão da pessoa que amo, sem pensar duas vezes, se isso pudesse salvar a sua vida ou torná-la mais feliz.

sábado, 5 de novembro de 2011

Controle

Houve um momento na minha vida em que decidi que eu precisava assumir o controle e ser responsável pelas minhas escolhas. Desde então, eu só me dei mal quando permiti que outras pessoas assumissem o controle da minha vida e tomassem decisões importantes. Estar no controle significa assumir todas as responsabilidades por suas escolhas e, embora possa parecer assustador, nada é mais aterrador para qualquer ser humano do que descobrir que é manipulado o tempo todo. Por isso mesmo o filme O Show de Truman é tão perturbador... Eu não consigo lidar com pessoas que não assumem o controle de suas vidas, que são vítimas dos outros, da própria acomodação ou dos acontecimentos. Talvez seja exatamente por isso que eu tive tanta dificuldade em lidar com a morte do Sr. T. Estar diante do inesperado, do irreversível e lidar com a total falta de controle sobre o destino e sobre os meus próprios sentimentos, foi um divisor de águas para mim. Posso dizer que vivi em um estado de quase insanidade por alguns meses. Aos poucos, fui recuperando o controle das minhas emoções, do meu corpo, da minha saúde, da minha vida... Um amigo me perguntou se eu tinha medo de um novo relacionamento por não suportar ter o coração partido novamente. Ri alto. O que é ter um coração partido depois que ele já foi triturado? Como dizem nos Estudos Culturais, do lugar de onde eu falo, posso afirmar: hoje, eu não tenho medo de mais nada...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Entretanto, amamos o deserto

O meu livro preferido de Antoine de Saint-Exupéry (o autor do clássico O pequeno príncipe) é Terra dos homens. Assim como o autor - que foi piloto de correspondência na década de 1920 - eu também amo o deserto. Quando eu estava na universidade, fiz um trabalho lindo para a disciplina de Biogeografia sobre os desertos quentes e gelados do mundo. O deserto é um mistério porque nas condições mais improváveis, a vida surge de forma surpreendente e desafia os visitantes de um só dia. Enfrentar o deserto é como enfrentar um coração árido ou um amor pleno, é preciso ter coragem... "Você compreende, sem alimento, depois de três dias de marcha, meu coração não devia estar batendo com muita força... Pois em certo momento, quando eu progredia ao longo de uma encosta vertical, cavando buracos para enfiar as mãos, o coração me caiu em pane... Hesitou, deu uma batida... Uma batida estranha...Senti que se ele hesitasse um segundo mais seria o fim. Fiquei imóvel, escutando...Nunca - está ouvindo? - nunca, num avião, me senti tão preso ao ruído do motor como, naquele momento, às batidas do meu próprio coração. E eu lhe dizia: Vamos, força! Veja se bate mais... garanto-lhe que é um coração de boa qualidade. Hesitava, mas depois recomeçava, sempre... Se você soubesse como tive orgulho do meu coração!" Foi exatamente assim que eu me senti no último ano, no meio da aridez emocional da minha vida, eu pedia ao meu coração que continuasse a bater com força, que mantivesse o ritmo e não doesse tanto ao ponto de me deixar sem ar como sempre acontecia. Hoje, eu posso dizer tranquila: eu tenho tanto orgulho do meu coração!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A última ceia

O filme "A última ceia" é um dos filmes mais pesados que vi nos últimos anos que tratam a dor e a necessidade de continuar vivendo de forma crua e até mesmo cruel. A cena de sexo entre os protagonistas estabelece uma relação entre o sofrimento profundo do ser humano e o prazer, ao mesmo tempo cruel e libertador. Assim como o filme "Despedida em Las Vegas", os limites do ser humano, a sua desesperança e total opressão não suprimem o desejo de continuar vivendo e amando. Eu tenho uma história bem bonitinha sobre isso, do Sr. L e da Sra. B que é bastante emblemática nesse contexto. Apesar de se conhecerem há alguns anos, o seu encontro romântico aconteceu no cenário mais improvável: ele doente preparando-se para o pior e ela superando uma tragédia pessoal em sua vida. No contexto extremo das suas respectivas histórias, surgiu um sentimento maior que eles decidiram acreditar que era amor. Sim, acreditar no amor é também uma questão de escolha. Ele percebeu primeiro que ela o que estava acontecendo. Colocou um ponto final no casamento capenga de mais de vinte anos (!) - pausa para uma reflexão: como alguém fica tanto tempo em um relacionamento ruim? (não me perguntem, eu só posso relatar a história, mas não tenho mais detalhes) - e decidiu que ela era o seu amor. Ela foi mais arredia, desconfiada dos homens desde muito tempo atrás, custou a assimilar (e reconhecer) o que estava sentindo. Mas ele não se importava, ria das hesitações dela e acompanhava o seu medo de perto. Ela também não deu refresco e obrigou o coitado a discutir a relação intermináveis vezes, por horas a fio. E assim seguiram, "destornando" um ao outro... Na caminhada, fizeram uma viagem para fugir do mundo, se isolando de tudo e de todos com o intuito de descobrir o que realmente sentiam um pelo outro. Passaram alguns dias juntos e foi tudo tão perfeito que eles voltaram casados (metaforicamente, mas pelo menos com a intenção de viver debaixo do mesmo teto!). Os dois não são jovens, o futuro é incerto, mas a certeza deles sobre o que sentem é enorme. Ela diz que tudo o que quer para o futuro é estar com ele sem planos ou projetos e ele afirma que tudo o que quer é compartilhar as pequenas coisas do cotidiano. Quando ouço histórias como essa, penso nas hesitações mesquinhas e os medos que vivi a vida inteira. Daí, quero apenas um pouco da coragem dos dois para acreditar que todas as histórias merecem (e devem) ser vividas!

domingo, 16 de outubro de 2011

A queda de Alice

Eu gosto muito do livro "Alice no país das maravilhas" e as inúmeras possibilidades de leitura que podemos extrair do texto. A queda de Alice na toca do coelho (motivada por sua curiosidade) é um excelente paralelo para a necessidade do autoconhecimento. Outro momento interessante é a pergunta constante da lagarta: quem é você? Não podemos compreender o outro - mesmo que a nossa curiosidade seja aguçada - sem ter uma visão completa de nós mesmos. Parece óbvio, mas eu não costumo ouvir as pessoas se queixarem dos seus conflitos internos diante de um relacionamento, pelo contrário! Eu costumo ouvir "ele/ela não me compreende, ele/ela me deixa louca, ele/ela isso ou aquilo"... Resumindo: a culpa de toda infelicidade e desconforto está no outro. Como muitos outros estranhamentos dos meus leitores, preciso dizer que eu não sou assim. O primeiro impacto que sinto quando me envolvo com alguém é a necessidade que tenho de perscrutar a minha alma, entender o meu passado e como ele reflete nos meus sentimentos hoje. Eu faço isso com tamanha profundidade que o processo torna-se extremamente doloroso para mim e para o outro. Durante muito tempo eu despejei no Sr. T uma carga de culpa que nada tinha a ver com ele. Eram apenas os meus fantasmas me assombrando e eu custei a me livrar deles. Hoje tenho outros fantasmas, mas estou consciente da presença deles. Estou convencida de que amar alguém significa a oportunidade de se conhecer melhor. Apesar de ser positivo esse movimento de autoconhecimento, existe um período intenso no qual eu vou me contorcendo diante das inúmeras constatações das mágoas passadas, dos desenganos e imprudências que já vivi. Preciso expiar isso tudo primeiro, me livrar das dores antigas para enxergar o outro inteiro e me sentir inteira também. Com o Sr. T esse momento foi meio atropelado pela urgência e certeza dele de que o nosso amor era indestrutível. Não era, a falta de finalização do meu ciclo de ponderação e escolha, quase nos destruiu. Esperar o tempo do outro, a sua reconstrução e reacomodação pode ser muito bom para quem quer viver uma relação completa. Aos que se contentam com os rituais impostos em nossa sociedade, uma festa de casamento com jantar e trezentos convidados pode ser suficiente. Aos que precisam transcender para viver todas as possibilidades, um lembrete: é preciso cortar a carne e a alma!