domingo, 15 de maio de 2011

Diálogos

Eu imagino que quem estrutura um relacionamento na base da dependência deve sofrer muito quando está sozinho. O processo de recuperação da autonomia não é mesmo fácil, implica em cortar os laços de dependência, descobrir-se novamente como pessoa, se reestruturar e só depois conquistar a autonomia. Considerando esta lógica, deveria ser mais fácil sair de um relacionamento estruturado sobre o compartilhamento. Aqui reside um engano. Quando você estabelece uma relação de dependência, sente falta do que o outro proporcionava. Na relação de passividade, é a falta de alguém que era responsável por cuidar de nós. Não é uma relação de mão dupla, existe apenas a necessidade de suprir, e, de fato, deve ser um duro golpe quando se perde o provedor. Porém, na relação na qual se compartilha, existe um movimento duplo, as ações vão e vem na mesma proporção. Assim, quando se perde a outra parte, não se perde apenas aquilo que se recebe do outro, mas também o que se proporciona. No meu caso, a maior perda é o diálogo. Através de intermináveis conversas, as nossas trocas eram construídas, a palavra (escrita ou falada) era a nossa ferramenta para dividir, trocar, acrescentar e crescer. O mais curioso é que na minha relação com o Sr. T nenhum de nós dois era de tagarelar muito ou descrever detalhes intermináveis. Normalmente, eu contava alguma coisa, relatava as minhas impressões e ele encerrava a análise com um comentário curto. Isso não acontecia por falta de sintonia ou comunicação, pelo contrário! Era justamente por entendermos perfeitamente as necessidades do outro que as palavras não precisavam ser inteiras. Bastava uma síntese e um olhar para todo o resto ser esclarecido. Afinal, o que é o amor senão compreensão?

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Então, fazemos biscoitos!

A semana foi pauleira, uma sombra vinda de Mordor (Tolkien) se apoderou de nós e ficamos um fiapo de gente. Para dizer a verdade, não sei se eu fico arrasada quando D. Maricota desmonta no seu choro convulsivo antes de dormir com saudades do pai ou se ela fica triste porque percebe a minha tristeza. O fato é que nós duas andamos muito tristonhas e só hoje a nuvem começou a se dissipar. Diante de um quadro tão deprê, o que fazemos? Biscoitos! Colocamos a mão na massa (literalmente), misturamos a farinha, a manteiga e o açúcar. Cortamos os biscoitos em formatos fofos - coração, lua, estrela, beijo - e ficamos vigiando o forno até que eles ficaram dourados e deliciosos. Quase perdemos a hora da escola, almoçamos sopa requentada, mas o sorriso e o orgulho dela ao levar os biscoitos para a "tia" da escola fizeram todo o esforço valer a pena! Catei na internet mais de dez receitas diferentes de biscoitos e agora tenho um arsenal antideprê até o final do ano. Agora vocês já sabem, bateu a depressão? Assem biscoitos, meus lindos e mandem qualquer desequilíbrio espiritual/emocional para o raio que o parta!

domingo, 8 de maio de 2011

Dia das mães

Sexta-feira foi a festa da família na escola de D. Maricota. A escola não chama de dias das mães para não trabalhar na perspectiva da família padrão, mas no fundo o objetivo era esse mesmo. A festa foi a inauguração de uma vernissage com os trabalhos das crianças. Segundo D. Maricota, eles tinham uma música bem linda para cantar para as mães. O primeiro problema: eu tinha aula no horário, mas como as chuvas de Recife estão provocando o caos na cidade, a aula foi cancelada e pude vir para casa mais cedo. O segundo problema: o local. Eu não conhecia o lugar onde seria realizada a festa e apelei para o Google Maps e o GPS. Ambos funcionaram perfeitamente, mas quando nós chegamos ao local... Não tinha lugar para estacionar e fui obrigada a dar várias voltas no quarteirão. D. Maricota acabou dormindo no carro e o bairro é pouco recomendável, principalmente de noite. Consegui parar no lugar mais próximo, peguei D. Maricota no colo e praticamente corri pelas ruas até o local da festa. Quando entramos, ela empacou e disse baixinho: - Mamãe, é aqui que eu vinha com papai muitas vezes! Ele sempre me trazia aqui! Só então eu me dei conta que o tal lugar ficava ao lado da Casa Brasil do IFET, uma das unidades que ele coordenou durante três anos. O prédio da festa era um local de artes e exposições da Universidade, como ex-professor e da área, obviamente ele teria passado ali várias vezes com ela. Nem preciso dizer que a noite acabou para nós duas. Ela não quis mais sair do meu colo e assisti a peça que estava sendo apresentada com ela agarrada no meu pescoço. A inauguração da vernissage terminava com um coquetel, mas ela não quis comer nada (nem eu). Resolvi vir embora mais cedo com a certeza de que não deveria ter ido. Não é aconselhável para ninguém mexer na ferida que ainda não está completamente cicatrizada...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Havaianas

Aqui em casa, nós simplesmente a-ma-mos as sandálias havaianas. É o nosso calçado preferido em dias de chuva ou sol. D. Maricota usou havaianas desde que era um bebezinho de fraldas e só comprei sandálias e tênis para ela depois dos três anos. Semana passada, a minha sandália havaiana fofa arrebentou e preciso contar em que situação dramática isso aconteceu. Uma das coisas mais importantes que aprendi com o Sr. T foi ter paciência (a dele era de Jó) com os filhos e nunca perder o controle da situação (que inevitavelmente resultaria em gritos e palmadas). Eu precisava ir ao mercado e mais cedo D. Maricota tinha optado por ficar com a irmã mais velha e não sair comigo. Fui ao mercado e quando cheguei em casa descobri que o sal tinha acabado. Na confusão de ter que fazer o almoço noves fora a irritação de ter esquecido alguma coisa, saí de casa sem perguntar se ela queria ir comigo. Já no elevador ouvi que ela estava chorando, mas pensei que fosse apenas uma manha passageira. Ao chegar na garagem, puf! do nada a minha linda havaiana slim arrebentou. Voltei para casa e descobri que D. Maricota estava aos prantos, desesperada porque queria sair comigo e magoadíssima porque tinha sido deixada para trás. Quando eu disse para a minha filha mais velha o motivo de ter voltado, ela respondeu: -É, o santo de D. Maricota é forte mesmo! Com a sandália arrebentada, a minha primeira ação foi fazer o que sempre fiz na mesma situação: procurar as sandálias do Sr. T! Eu adorava calçar as havaianas dele, mesmo sendo quatro números a mais do que o meu. Quando eu estava com os pés inchados e cansados, eu me enfiava na sandália dele e andava pela casa para descansar os pés. Perdi a conta das vezes que ele, já irritado, me perguntava onde eu tinha deixado as havaianas dele! Quando eu precisava comprar sandálias novas por algum motivo, ficava enrolando semanas para comprar um novo par só para usar bastante as dele. Sem ter as havaianas tamanho extra large amaciadas para calçar, fui obrigada a comprar uma nova no dia seguinte. Azul, lindinha, mas sem graça demais diante da brincadeira perdida...

domingo, 1 de maio de 2011

O desenho

D. Maricota está na fase dos desenhos da família na escola. Ontem ela disse que a "tia" pediu que ela desenhasse apenas as pessoas que moravam na casa. Segundo D. Maricota, o pai da "tia" também foi para o céu e virou uma estrela. Deduzi que a primeira versão do desenho dela tenha incluído a figura do pai também. Esse é um ponto delicado. Uma das maiores angústias dela está relacionada com o fato de não ter pai e eu sempre insisto que ela não pode dizer isso. Uma pessoa que não sabe quem é o seu pai ou nunca teve contato com a figura paterna, pode dizer com propriedade que não tem pai. Mas e alguém que tem a lembrança do pai presente e parte de sua história? É correto dizer que não tem pai? As duas situações não são completamente diferentes? Bom, eu sempre digo que ela tem pai sim, embora ele não esteja mais aqui. Ele vive na nossa memória e no nosso amor que continua existindo. Uma das coisas que mais me surpreendeu quando lidei com a morte de uma pessoa querida pela primeira vez, foi a constatação de que o nosso amor não acaba, mesmo que a pessoa não exista mais. Talvez daí venha a angústia, o amor que você sente está canalizado para um vazio e não é retribuído. O amor se perde na ausência.

domingo, 24 de abril de 2011

O Um Anel (na perspectiva do Sr. T)

"Nós temos uma coisa preciosa para carregarmos por todo resto da nossa existência como sendo um estandarte de samurai, preso a nossas costas e sobre as nossas cabeças, anunciando para o plano cósmico o que fizemos com a preciosidade que nos foi dada. Nós temos UM ANEL, digo um pois não são dois. Foram forjados para serem apenas um como nós somos na origem de nossa criação. O tetragrama que está impresso no nosso anel só era pronunciado sua evocação diante da Arca da Aliança. Ele é a materialização da maior força viva do universo, o que É "o eterno", o que gera e mantém todas as coisas, criador e consumador do amor. Uma palavra sagrada, uma chave, um signo de poder e fé. Quando decidi fazer o gesto de constituir esse nosso Anel, me senti fortemente canalizado e inspirado de verdadeiramente estar estabelecendo um testemunho definitivo de um amor dirigido para o bem e para luz, o símbolo da Pessoa cujo nome nele está escrito é nossa testemunha fiel. O Anel deve voltar para as nossas mãos, lá é o lugar dele, nosso símbolo, nossa aliança... O testemunho de nossa escolha. Cabe a nós faze-lo voltar para seu lugar. E assim como ele é um, não deve ser dividido, ou resplandece vivo como um estandarte anunciador da esperança e fé no amor em nossas mãos ou descansa uno com suas ambas partes, esperando o despertar da "estrela vespertina" e seu "ogro". Eu te amo..." (Sr. T, Natal de 2003).

sábado, 23 de abril de 2011

O Um Anel (na minha perspectiva)

Três anéis para os Reis-Elfos sob este céu,
Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores,
Nove para Homens Mortais fadados ao eterno sono,
Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.
Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los,
Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam
. (Tolkien)


Eu não sou adepta de cerimônias e datas marcantes no calendário, o que não quer dizer que eu não registre os momentos importantes da minha vida. Tenho pavor de certos hábitos burgueses, como comemorar o aniversário de casamento (o casal vive mal o ano todo, mas neste dia tudo fica maravilhoso) ou dia das mães e coisas semelhantes. O símbolo de meu casamento com o Sr. T era um anel que ele mandou fazer em ouro branco com uma inscrição em hebraico da palavra judaica que designa Deus. Os anéis foram feitos por um amigo do Sr. T, um joalheiro sabatista que ficou feliz com a tarefa que lhe foi confiada. O anel foi ideia do Sr. T, ele idealizou o formato, as letras e seu simbolismo. Desde o dia em que ficou pronto, o Sr. T nunca tirou o anel do dedo. Era um símbolo de nossa ligação e uma espécie de proteção de todas as coisas negativas do mundo. Eu continuei usando o anel depois de sua partida, mas não fazia mais sentido. Pensei em pedir ao joalheiro que o modificasse para que eu pudesse continuar usando, mas não tive coragem. Resolvi guardá-lo em sua caixinha de pedra-sabão e quando estou muito triste ou me sentindo desprotegida, eu o coloco por um tempo. Penso que D. Maricota vai querer ficar com ele quando crescer, não pelo seu valor como jóia, mas por tudo o que ele representou para o Sr.T. Eu não costumo reproduzir os textos do Sr. T (confesso que me tornei avarenta com as coisas que ele escrevia), mas sem a perspectiva dele sobre o Um Anel, seria impossível entender o seu significado. É sobre isso que vou escrever adiante.

domingo, 17 de abril de 2011

On the road (na estrada)

As pessoas sempre me perguntam como eu suporto a viagem que é o trajeto da minha casa até o trabalho. Eu não vejo muita diferença no tempo que eu levo hoje para chegar ao trabalho do que eu levava quando morava no Rio. Os engarrafamentos homéricos que já enfrentei dariam um livro (meio parado, é claro, mas mesmo assim impressionante, pois já fiquei cinco horas presa em um engarrafamento). Claro que fico cansada em alguns momentos, mas eu gosto de dirigir e a estrada tornou-se a minha terapia. É o lugar onde eu consigo digerir os acontecimentos e refletir sobre a vida. Desde a partida do Sr. T, as minhas viagens tornaram-se momentos em que eu conseguia pensar livremente em tudo o que estava acontecendo, sem ser um autômato ou uma atriz que disfarça o sofrimento. Sozinha na estrada, percorrendo o mesmo trajeto de sempre, eu conseguia encarar de frente a minha angústia e chorar tudo o que fosse preciso. Para quem não gosta de dirigir ou tem medo da estrada (lugar de perigos e do desconhecido), a viagem pode ser uma prisão. Na minha situação, a estrada é sinônimo de liberdade, um caminho para compreender o que ficou para trás e pensar em novos percursos para o futuro. A trilha sonora é essencial, como não chorar ouvindo Passive, do Perfect Circle? Wake up and face me/ Don't play dead/ Cause maybe someday/ I will walk away/And say you disappoint me/ Maybe you're better off this way... (Acorde e me enfrente/ não se finja de morto/ porque talvez algum dia/ eu irei embora/ e direi você me decepcionou/ talvez seja melhor você distante desse jeito...). Ou então ouvir Enigma cantando Why: I was childish and unfair/ To you, my only friend/ I regret/ But now it's too late/ I can't show you any more/ The things I've learned from you/ Cause life just took you away/ I'm asking why /Nobody gives an answer. (Eu era infantil e injusto com você/ Meu único amigo / Eu me arrependo/ Mas agora é muito tarde/Eu não posso mais te mostrar/ As coisas que eu aprendi com você/ Porque a vida te levou embora/Estou perguntando por quê / Ninguém me dá uma resposta). Ouvindo as minhas músicas favoritas e olhando a paisagem na estrada, as minhas viagens se tornam um momento mágico de digerir o meu sofrimento e me tornar mais inteira. São também os únicos momentos da minha vida em que eu permito sentir a presença do Sr. T bem perto de mim.

sábado, 16 de abril de 2011

Peixes

É claro que eu não acredito em horóscopo, mapa astral e bobagens semelhantes, mas quem resiste a dar uma olhadinha no lado místico da vida? Eu e o Sr. T éramos um casal do signo de peixes, com tanta sensibilidade e moleza que uma vida a dois pragmática parecia quase impossível! Mesmo com o mesmo signo, eu e o Sr. T tínhamos muitas diferenças. A caracterização do pisciano cai como uma luva para ele: "Os nativos deste signo são os "sofredores" do Zodíaco! Estão sempre prontos a carregar a culpa pelos males do mundo e não suportam ver ninguém sofrer sem oferecer sua ajuda. São sonhadores e indecisos, e não raramente se refugiam em seus sonhos para não precisar fazer parte deste mundo terreno tão difícil e tão duro! Seu idealismo e inspiração fazem deles pessoas inspiradas e às vezes produzem gênios (Einstein era pisciano!). Se adaptam facilmente a qualquer situação, são hospitaleiros, adoram comer e beber, até demais. Muitos se deixam levar pelos excessos e podem se tornas drogados, alcoólatras, ou "falsos magos" utilizando seus poderes mediúnicos inadequadamente. A excessiva sensibilidade dos piscianos deve ser levada para as artes, ou para o misticismo, para a religiosidade e a dedicação no auxílio aos outros, que é a sua verdadeira missão aqui na Terra". Perfeito! Para ele, é claro, porque eu nunca me enquadrei muito bem nas características do signo. Até que eu descobri que o meu ascendente é o temível signo de escorpião. Ahhhh... agora pode até ser: "O Ascendente tem relação com sua aparência física e com o jeito que você se apresenta aos outros. Você que tem o Ascendente em Escorpião, não passa despercebido. Seu olhar penetrante e sua expressão determinada demonstram uma força interior imensa. A sua natureza firme e magnética pode provocar mal-estar em pessoas mais frágeis: você parece estar sempre perscrutando o interior para enxergar através e analisar o conteúdo. A natureza do signo transparece em suas ações que podem parecer arrogantes e demasiadamente exigentes. A passionalidade inerente ao signo também pode ser muito evidente em sua maneira de agir, levando você a procurar satisfazer seus prazeres de forma intensa e profunda. A concretização de seus objetivos é conseguida com determinação e garra insuperáveis. Uma tendência a se envolver de forma exagerada nos relacionamentos amorosos pode se tornar perigosas se mal canalizada: as explosões de ciúme e ódio são comuns a quem tem este signo no ascendente. Você dá muita importância ao relacionamento afetivo que é exigente e exclusivo. As qualidades energéticas incontestáveis e excitantes do signo de Escorpião aparecem muito no Ascendente, mesmo se você se esforça em mantê-las secretas, como é característica do signo. Pouco falante e muito observador, você analisa muito mas não gosta de ser analisado. Você possui grande aptidão para estudos profundos e pesquisas secretas". Rá, também não me identifico muito nessa caracterização... Interessante é que o tal mapa astral faz uma advertência ao comportamento a dois dos piscianos: "Deve também tomar cuidado para não fazer "constantes sacrifícios" para seus amantes, já que a relação a dois é uma troca e não um sacrifício. Não deve desistir de um hobby, de um lazer, de uma vida própria para agradar o parceiro, pois isto lhe causará sem dúvidas muitas frustrações no futuro. Procure conservar mais sua identidade e não se "fundir" com o outro, como a sua natureza netuniana manda". Too late, baby, nós fizemos exatamente isso! Talvez seja justamente essa a minha impossibilidade de vislumbrar qualquer relacionamento além do Sr. T...

domingo, 10 de abril de 2011

Abrace a vida

Eu descobri este comercial no YouTube e fiquei maravilhada com a delicadeza do roteiro para falar de algo tão banal. Cada um de nós gosta do vídeo por um motivo diferente, o Sr. T adorou a performance dos atores (ele chamou a atenção para as mudanças nas expressões do ator que faz o pai e o olhar da menina). Eu gosto dos efeitos especiais repletos de emoção. D. Maricota gosta porque a menina tem uma fantasia de borboleta e ela abraça o pai salvando o dia. Revendo o vídeo, fiquei pensando porque o comercial tinha me comovido tanto: a possibilidade de salvar a vida da pessoa que amamos é transcendental. É uma pena mesmo que na vida real não funcione assim. De qualquer modo, abrace a vida!