quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Às vezes, você tem que deixar ir...

"Sometimes you gotta let go." Balão do Snoopy, em homenagem ao Banksy (via Digital Art, no Facebook)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Uma pequena grande vitória

A professora de D. Maricota me disse que ela está, finalmente, lendo e escrevendo. Ela alcançou as outras crianças e chegou ao patamar desejável de leitura. As crianças escolheram um poema para ler hoje em sala e ela escolheu ler um pequeno poema da Cecília Meireles. E leu tudinho! Você não podem imaginar o tamanho do meu alívio... Definitivamente, os estragos não foram permanentes!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Agosto

Agosto é um mês complicado, dia dos pais, aniversário de Dona Maricota, lembranças, lembranças e mais lembranças... Definitivamente, Dona Maricota parece ter encontrado um caminho para superar a sua própra tristeza e se divertiu bastante com as comemorações do seu aniversário. A festa foi na escola, mas no sábado tivemos um bolo em casa. O tema do bolo foi o livro "O Carteiro Chegou", a mais nova obsessão literária de D. Maricota. Os irmãos vieram, os primos, os vizinhos, a casa ficou bagunçada, as crianças tiveram dor de barriga por causa do consumo excessivo de porcarias e eu, como sempre, amaldiçoei as festas infantis do universo por três gerações.

Na continuação das comemorações, fomos visitar a mãe do Sr. T ontem. Foi muito doloroso ver D. Linda tão frágil, pequenina e, como sempre, comovida com a presença da neta querida, lembrança viva do seu filho preferido. Como sempre, ela costurou um vestido lindinho para D. Maricota e combinou de ir nos visitar no fim de semana levando a máquina de costura para fazer muitos vestidos com a ajuda da neta. Nem preciso descrever o sorrisão de D. Maricota ao se imaginar pilotando uma máquina de costura... Ontem, já no fim da visita, ela quis saber se D. Maricota ainda fala no pai, se faz perguntas ou se tem lembranças.

- Todos os dias, repondi. O bom é que a dor quase desapareceu e ela só fala das lembranças boas. Então, ela me disse uma coisa que doeu fundo no meu coração:

- Eu rezo todos os dias por ela porque de todos, foi ela quem mais sofreu com a perda do pai. E o pior de tudo: sofreu calada!

Sim, Dona Linda tem razão. Todos nós somos adultos e suportamos o revés da vida com a nossa bagagem estruturada em anos de experiência, conhecimento e resignação. Dona Maricota perdeu o seu "papaizinha" sem sequer entender como ou porque. Ela voltou a rir, mas procura entender todos os dias porque sofreu essa perda. E é por isso mesmo que eu continuo achando a vida muito injusta...

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Notas sobre um webromance: café da manhã colonial

A minha apresentação no evento estava marcada para às 10 horas. Como sempre, eu terminei de organizar os slides algumas horas antes (essa incrível segurança para falar sobre os temas que domino de trás para frente ainda vai me deixar na mão um dia...). Descemos apressados para tomar o tal café da manhã colonial oferecido pelo hotel. Entramos distraídos de mãos dadas no salão com piso de tábua corrida e cortinas de renda na janela. Várias pessoas ocupavam as mesas, todos conhecidos de outros trabalhos e instituições. Era possível ouvir o zumbido das conversas do lado de fora do salão, mas assim que nós entramos, as conversas cessaram. Todos interromperam o que estavam fazendo e nos olharam. Sabe aqueles três segundos de constrangimento que você não sabe muito bem a razão de ser objeto de interesse das pessoas? Pois é... Uma olhada rápida e me dei conta de que éramos o único casal hospedado no hotel que não dormiu a noite toda e, provavelmente, não deixou ninguém mais dormir... Caminhei em direção à mesa com o rosto pegando fogo enquanto as pessoas nos seguiam com o olhar. As conversas foram retomadas em um tom mais baixo, embora as pessoas continuassem a nos olhar com curiosidade. Algumas pessoas sorriam como se estivessem satisfeitas em confirmar a identidade secreta dos amantes destemperados... Como diz uma amiga querida: na terra da desesperança, as pessoas se incomodam muito com quem encontra um amor! E eu, toda linda com o meu vestido de linho chique e (muito) corretivo para as olheiras, só pensei em uma coisa: nunca mais eu me hospedo acompanhada no mesmo hotel que os meus colegas de trabalho! Fim.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Notas sobre um webromance: três dias que mudam a sua vida...

Nada mais puro do que um coração desavisado... Quando se está desarmado, é impossível prever o que pode acontecer. Todos nós temos certezas na vida no que diz respeito aos relacionamentos, sabemos disso porque conhecemos a regra e não as exceções. Eu costumo dizer que depois dos 40 anos existe só um tipo de amor possível: o amor pantufa. É aquele amor fofo, meigo, repleto de afinidades, estabilidade, no qual um completa o outro a partir das lacunas de sua vida. Cada um de nós carrega muitos vazios dos relacionamentos passados que queremos preencher e um relacionamento na época mais madura da nossa vida pode ser perfeito para isso. Definitivamente, não esperamos encontrar na maturidade um tipo de amor visceral que nos coloca de cabeça para baixo e muda o rumo de nossas vidas. O tipo de amor que faz o nosso coração bater forte, quase saindo pela boca quando ouvimos a voz do outro. Que nos faz perder o sono e a fome. Que supera as limitações físicas que temos e nos permite extrapolar todos os sentidos em um jogo erótico sem fim. Ou que transforma o cheiro do outro em uma espécie de afrodisíaco que nos persegue por todos os lugares. Até mesmo um amor que produza uma sensação de posse absurda, daquelas de querer prender o seu objeto do desejo no porão, amarrado com cordas e fita silver tape! Durante três dias, eu e o Sr. L dormimos pouco mais do que uma hora e meia por noite, fizemos cinco refeições, falamos de tudo sobre as nossas vidas e voltamos para casa como se um caminhão carregado com três ogivas nucleares tivesse nos atropelado. Nada de amor pantufa, nada de equilíbrio, nada de suavidade... Parecia que toda a história de duas vidas tinha se reunido ali, naquele lugar e naquele momento. Qualquer escolha diferente de um caminho em comum significaria subverter a ordem natural das coisas. Apesar de todas as dúvidas, sentenças inacabadas e (muitas) pressões externas, eu só pensei uma coisa: quando se encontra um amor como esse, não se pode recusar a viver o que nos foi reservado.

domingo, 22 de julho de 2012

Notas sobre um webromance: Ouro Preto

Cheguei ao hotel no meio da tarde, junto com os meus colegas que também iam participar do evento. Eu sabia que o Sr. L já estava lá desde cedo, a ideia inicial era nos encontrarmos no fim da manhã, mas o meu voo atrasou. O tempo chuvoso e a neblina baixa desencadearam uma crise alérgica em mim. Meus olhos estavam inchados e eu mal conseguia respirar direito quando entrei no saguão do hotel. Nunca mais vou esquecer dos detalhes daquele hotel em estilo colonial, o silêncio dos ambientes, os sons abafados, a tábua corrida no chão, a decoração com cortinas de renda e peças do artesanato local. A recepcionista era uma moça jovem e muito simpática, enquanto eu preenchia o formulário do hotel ela me disse com um sorriso romântico no rosto: - Tem uma pessoa esperando por você ansiosamente desde cedo! Ele estava inquieto, aguardando a sua chegada. Achei graça da expressão no rosto dela, ela parecia encantada com a espera prolongada do meu querido... Vislumbrei a sombra de uma pessoa alta atrás de mim, terminei de preencher o bendito formulário com o rosto pegando fogo e olhei para trás. O Sr. L estava lá, olhando a minha nuca sabe-se lá por quanto tempo... Corri na direção dele e enfiei a minha cara no seu peito, curtindo aquele abraço de urso delicioso. Ele levantou o meu rosto e me beijou, um beijo quente, molhado que fez os meus joelhos tremerem e as pernas virarem mingau. - Ridícula! Pensei enquanto o meu cérebro duelava entre o gosto e as sensações daquele beijo e o resto de racionalidade que ainda me restava. É, eu sei, parece coisa de adolescente, mas eu queria ficar pequeninha para entrar dentro da blusa dele e não sair nunca mais. Eu tinha tanta coisa para perguntar, tanta coisa para dizer... Não fiz nem uma coisa, nem outra. Segurei na mão do Sr. L e caminhei em direção ao quarto. Não precisava de mais nada naquele momento.

sábado, 21 de julho de 2012

Notas sobre um webromance: primeiro encontro

O que se espera de um primeiro encontro? Normalmente, uma prospecção profunda do outro: em cada olhar, em cada gesto, em cada nuance do diálogo, sempre existirá uma análise implacável do outro. É no primeiro encontro que avaliamos se vai haver continuidade ou não da relação. Por isso mesmo, todo primeiro encontro é constrangedor, não sabemos onde colocar as mãos, caprichamos na roupa, somos todos ouvidos para a nossa companhia. Algumas pessoas repetem insistentemente "- É mesmo? Eu também", como se fosse um sinal de fomos-feitos-um-para-o-outro-já-podemos-casar. Não preciso nem dizer que a saia-justa é infinitamente maior nos encontros às cegas, que os americanos chamam de blind date. Entretanto, nada supera o medo (medão, pânico, paúra, ou qualquer outra expressão que o leitor preferir) de um encontro com alguém que você nunca viu pessoalmente, mas com quem já entrelaçou a alma. Não existe um padrão para o primeiro encontro, cada um construirá o seu próprio momento de um jeito diferente do outro. O Sérgio Freire, por exemplo, contou uma história linda em seu blog sobre o primeiro encontro com alguém que nunca tinha visto (e que hoje é a mãe de suas duas filhas). Eu adoro a história contada por ele, mas comigo foi diferente. Eu não esperava nada além do óbvio. Se eu fosse elaborar uma espécie de check list, seria mais ou menos assim: conversa agradável - ok, pessoa simpática - ok, afinidades em nível razoável - ok, sexo de qualidade - ok, amizade especial - ok... Só isso. Nada de querubins dançantes, borboletas coloridas, som de violinos ou fogos no céu. Eu tinha certeza de que encontraria apenas o óbvio. Não me entendam mal, não que o óbvio fosse ruim, mas seria apenas...o mesmo de sempre! Uma espécie de amor pantufa, aquele tipo de amor cálido, morno e confortável que nos serve na medida exata de nossos medos e decepções. No fundo, acho que eu desejava que fosse assim porque um amor pantufa não seria suficiente para revirar a minha alma e me tirar da minha imobilidade. Em algum canto insano da minha mente eu continuava a ter certeza de que nunca mais poderia viver uma história com alguém depois do Sr. T, embora o lado são insistisse que eu precisava seguir em frente. Caminhei em direção ao meu primeiro encontro certa de que não encontraria nada demais. Foi aí que eu errei feio...

#Update: Encontrei um vídeo bem fofinho sobre um casal que namorou durante anos e teve o seu primeiro encontro filmado por uma amiga. Como vocês podem ver, a situação é bem mais comum do que pensamos.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Flynn Rider

Flynn Rider é o herói que "salva" Rapunzel da torre, em Enrolados. É também um ladrão, interesseiro, mentiroso, manipulador e cafajeste. Apesar da sua experiência e malandragem, nada do que ele faz tem influência sobre Rapunzel. Pelo contrário! Quem manobra a relação dos dois é ela, embora ele tente se aproveitar da inexperiência dela o tempo todo. Ele faz isso quando tenta convencê-la a voltar para a torre e não destruir a relação de confiança entre mãe e filha ou quando a leva ao "Patinho Fofo" para enfrentar os bandidos fedorentos e assustadores. Entretanto, ela sempre dá o troco, encontra uma saída e continua determinada a viver a sua aventura. Ela não desiste nem mesmo quando é manipulada pela mãe vilã (que afirma que Flynn Rider está apenas interessado na coroa e não em seus poucos atrativos). Na minha opinião, essa é a perspectiva mais cruel do filme: Rapunzel cresce ouvindo que não tem atrativos, que é desleixada, feia, frágil e incapaz de cuidar de si mesma. Ninguém acredita nela, nem a mãe vilã, nem Flynn Rider. Só ela acredita que pode mudar o seu próprio destino. Penso que o que mantém Rapunzel íntegra e acima de todas as ações perversas, é a sua generosidade e decisão de se doar sempre, independente das ações dos outros.Toda vez que alguém nos diz que o outro tem apenas interesse em nós e não sentimentos verdadeiros, nos sentimos um lixo. É como se fôssemos incapazes de inspirar amor em alguém, que tudo que temos é o dinheiro, posição ou algum tipo de barganha. Além de não ser capaz de despertar amor em alguém, a pessoa que está sendo usada é uma tapada (ou ingênua, que fofo!), incapaz de perceber que o outro não sente nada (porque a pessoa não merece!) e a engana descaradamente. A solução no filme é fazer com que Flynn Rider morra para salvar Rapunzel. Ao optar por morrer, ele expia a culpa de todas as suas ações negativas e torna-se, finalmente, um herói. Na vida real, ninguém coloca a própria vida em risco para salvar o outro. Então, só nos resta nos recolher em nós mesmos e escolher melhor as pessoas com as quais nos relacionamos.

domingo, 15 de julho de 2012

Crianças índigo?

A história da nossa vida está sempre se entrelaçando com a vida de outras pessoas. São pontos em comum, trajetórias, experiências, gostos etc. que nos aproximam dos outros, amenizando o sentimento de solidão. D. Maricota está muito próxima de um amigo da escola e os dois tem passado muito tempo juntos nas férias.Os dois são mesmo muito preocupados com outros e a imaginação corre solta nas brincadeiras mais simples entre eles. Semana passada eu estava procurando os meus óculos perdidos e os dois começaram a imaginar em quais lugares eu poderia encontrá-los (dentro de um bolo, na travessa de macarrão, no forno...) Como diz a avó do Sr. Dudu, são crianças mansas e meigas, um bom exemplo da geração índigo. Para reforçar a percepção da avó coruja, os dois travaram o seguinte diálogo enquanto lanchavam na mesa da sala:

- Eu não tenho pai, sabe? A minha mãe casou com o meu pai, mas depois que me teve, largou ele. Aí, eu não tenho pai. Disse o Sr. Dudu para D. Maricota.

- Eu tive pai, Dudu, ele morava aqui comigo, mas ele morreu. Então, eu também não tenho pai! Respondeu D. Maricota.

- É, nós dois não temos pai, né? A gente queria ter pai, mas não temos. Vamos brincar de desenhar agora?

- Vamos!

Sem sofrimento, sem angústia, sem divagação. Apenas a constatação do óbvio e a segurança de que mesmo em relação aos nossos piores medos, temos a certeza de que alguém vive a mesma situação. Simples assim!