sábado, 23 de junho de 2012

Elizabeth e Darcy (2)

O dono da casa sentiu sinceramente que elas tivessem de partir tão cedo e procurou repetidamente persuadir Miss Bennet de que a partida não era prudente, que ela não estava ainda restabelecida. Mas Jane era firme quando sabia qual era o seu dever. Mr. Darcy ficou satisfeito. Elizabeth já se demorara bastante em Netherfield. Ela o atraía mais do que ele desejava. E Miss Bingley mostrava-se pouco gentil para com ela, e mais provocante para com ele do que de costume. Resolveu ajuizadamente mostrar-se mais cuidadoso e esconder os seus sentimentos. Não queria dar nenhuma esperança a Elizabeth e sabia que a sua atitude durante o último dia teria uma importância decisiva neste sentido. Firme neste propósito, quase não lhe dirigiu a palavra durante todo o sábado. E, embora ficassem sozinhos durante meia hora, não despregou os olhos do livro e nem uma só vez olhou para Elizabeth.

AUSTEN, Jane. Orgulho e preconceito. São Paulo: Abril Cultural, 1982. (Tradução de Lúcio Cardoso).

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Elizabeth e Darcy (1)

Elizabeth, que folheava os cadernos de música que estavam sobre o piano, não pôde deixar de observar que os olhos de Mr. Darcy se voltavam frequentemente na sua direção. Não podia supor que fosse um objeto de admiração para um homem tão importante. No entanto, achava estranho que ele a estivesse olhando por antipatia. Acabou imaginando, entretanto, que o que lhe atraía era algo errado e repreensível que existia na sua pessoa, e que contrastasse, aos olhos de Mr. Darcy, com as qualidades dos outros presentes. A suposição não a penalizou. Darcy lhe era indiferente demais para que desejasse a sua aprovação.

Depois de tocar algumas canções italianas, Miss Bingley atacou uma alegre canção escocesa e pouco depois Mr. Darcy, aproximando-se de Elizabeth, disse-lhe:

- A senhora não se sente inclinada a aproveitar esta oportunidade para dançar? - perguntou ele.

Ela sorriu, porém não disse nada. Ele repetiu a pergunta, um pouco espantado com o silêncio dela.

- Oh - disse Elizabeth -, ouvi o que perguntou antes, mas não pude determinar imediatamente o que deveria responder. O senhor queria que eu o fizesse afirmativamente para ter o prazer de desprezar as minhas preferências; mas eu sempre gosto de perturbar esses estratagemas e roubar às pessoas o lance que premeditam. Resolvi portanto responder-lhe que não desejo absolutamente dançar; e agora despreze-me, se ousar.

- Asseguro-lhe que não ouso.

Elizabeth, que tencionava ofendê-lo, ficou espantada com a amabilidade. Mas havia no tom dela um misto de doçura e de malícia que dificilmente ofenderia alguém. E Darcy nunca se sentira tão fascinado por uma mulher como estava por aquela. Acreditava realmente que, se não fosse a inferioridade das relações de Elizabeth, ele se encontraria realmente em perigo.

AUSTEN, Jane. Orgulho e preconceito. São Paulo: Abril Cultural, 1982. (Tradução de Lúcio Cardoso).

quinta-feira, 21 de junho de 2012

D. Maricota anda pensando muito!

- Sabe, mamãe, eu queria muito voltar a ser um bebê! disse D. Maricota pensativa.

- Um bebê, filha? Mas você está tão crescida, bonita, esperta... Por que você quer voltar a ser um bebezinho? perguntei.

- Porque se eu voltasse a ser bebê, ia dormir no colo, papai ia estar de volta, a gente ia cuidar dele e ele não ia morrer! respondeu ela.

- Ahnn... É, filha, ia ser muito bom mesmo!

Só agora eu entendi o desejo constante de D. Maricota em ser um bebê. Foi apenas o jeito que ela encontrou para dizer que sente saudades do tempo em que era feliz.

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D. Maricota decidiu por conta própria sair das aulas de natação na escola e entrar no judô. Sabe quando a mãe deixa o filho fazer alguma coisa porque sabe que vai dar errado? Para que gastar horas de argumentação se basta esperar algumas semanas para dizer "eu sabia que não ia dar certo, eu avisei"? Pois é, só que deu certo e a mãe ficou com cara de bunda. Ainda não convencida, fui conversar com a professora de judô para saber como ela estava, se valia mesmo a pena etc. A professora deu uma gargalhada e disse que quando viu D.Maricota na aula se espantou muito e tinha certeza de que ela não aguentaria. - Ela é tão frágil e magrinha... disse. Acontece que D. Maricota adora os exercícios, escolhe os parceiros de luta e até já derrubou alguns (oh, céus, eu preciso de provas científicas para acreditar nisso! Cadê foto? Cadê vídeo? Cadê CSI?). Quando cheguei em casa, fui contar os elogios da professora para D. Maricota. Ela ouviu e disse distraída:

- Sabe, ela não é especialmente uma professora. É um professor, mas nós a chamamos de professora!

Obviamente, ela estava se referindo ao aspecto ambíguo da sexualidade da professora. Sem preconceito ou qualquer outra observação. É um professor que chamamos de professora. Simples assim! E depois as pessoas se preocupam com a opção sexual dos outros porque não sabem o que dizer aos filhos. Nós não explicamos nada aos nossos filhos, eles é que nos explicam!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Ponto de ruptura

Uma coisa que aprendi desde cedo é que cada um sabe quais são os seus próprios limites. Não existe um padrão, o que é suportável para um pode não ser para outro, da mesma forma que uma determinada atitude pode ser suportável por um tempo e depois não ser mais. Cada relacionamento é uma combinação única dos pressupostos e atitudes de duas pessoas. Sendo assim, coisas que muitas vezes são inaceitáveis em uma relação, podem funcionar em outras. A questão é que justamente por não sabermos quais são os limites do outro (e muitas vezes, nem os nossos), é preciso ter cuidado quando esticamos demais a corda em um relacionamento. Os conflitos só devem ser levados ao extremo quando realmente estamos dispostos a pagar para ver. Se não temos certeza do que queremos ou se temos dúvidas sobre o que podemos ou não suportar, a melhor estratégia é se afastar por um tempo, colocar as ideias no lugar e só então discutir a relação com franqueza. No início do meu relacionamento com o Sr. T, o meu nível de estresse era sempre um tom acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde, bastava um conflito, um desentendimento qualquer, para eu ameaçar terminar tudo. Um dia, bem calmo, ele me disse que na próxima vez que eu ameaçasse ir embora, ele é quem iria. - Existem certas coisas que só devem ser ditas quando temos certeza do que queremos. A palavra tem poder e uma vez que pronunciada em voz alta, nunca mais tem volta. Pense bem no que você realmente deseja antes de dizer. Na verdade, o que ele estava dizendo é que o amor não pode ser tão frágil para ser ameaçado a cada instante, em cada crise. A premissa básica do amor é o desejo de ficar junto, resolver os problemas e superar as dificuldades. É acreditar que aquele amor é para sempre. Se é tão fácil de ser deixado, não é amor, é apenas um simulacro da Matrix...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Cuidar e amar

Ao longo da vida, se tivermos bastante coragem, vamos construindo os nossos próprios valores e priorizando o que nos parece importante em detrimento de outras coisas que a sociedade valoriza. Você pode escolher para a sua vida ser e não ter. Como são decisões internas e dizem respeito somente à sua vida, ninguém tem nada a ver com isso, embora nem sempre isso aconteça na prática. Eu fico genuinamente chocada quando me deparo com os valores de outras pessoas explodindo na minha cara ao gerar algum tipo de intervenção na minha vida. Com a morte do Sr. T, a minha decisão de priorizar os sentimentos e viver melhor tornou-se ainda mais forte, pois vi de perto que nada do que temos nos serve na hora da morte. Equilibrium, é só o que eu preciso. O que prevalece nas minhas prioridades é a possibilidade de amar as pessoas, sem máscaras, sem subterfúgios e sem ambiguidade nos desejos. E amar significa cuidar, mesmo nas pequenas coisas, querer que o outro esteja bem, independente de nossa presença. Amar transcende, não aprisiona. Se é mesquinho e pequeno, não é amor. As pessoas sempre querem olhar para os relacionamentos (seja amizade, paixão, pais e filhos) e identificar o que cada um está recebendo em troca. O que cada um proporciona ao outro? Carinho? Compreensão? Bem-estar? Uma bela casa? Viagens? Parece que os sentimentos nunca traduzem a completude de uma relação, se você diz que o fulano ou fulana é um herdeiro, um executivo com salário de zilhões ou se é uma mulher curvilínea com uma beleza incomum, as pessoas respondem na hora com ar compreensivo: ahhh... Se você responde que está feliz no relacionamento apenas porque "ele me faz bem" ou "ele me liberta e me faz feliz", você está mentindo, é cega, louca, vulnerável, presa fácil... Amor não é sinônimo de sofrimento, mas ninguém deve evitar amar para não sofrer. As relações afetivas são marcadas pela finitude, sofremos com a perda dos nossos filhos quando eles começam a crescer e ir embora, com a morte de quem amamos ou mesmo com uma separação simples. A atitude mais sensata é sempre colocar na balança os sentimentos e avaliar se as perdas compensam o que ganhamos afetivamente. Enquanto compensar, o amor vale a pena e quando a balança virar, é hora de estar pronto para recomeçar!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Confiança

Confiança é algo muito complexo nos relacionamentos e assume diversas perspectivas diferentes em cada situação. Confiamos no outro para cuidar de nós, para sustentar a casa, para ter uma carreira, para adivinhar os nossos pensamentos, para satisfazer os nossos desejos e, sobretudo, para não nos trair. Assim, confiança assume um leque de situações que variam bastante e dependem do nosso olhar naquele exato momento. As pessoas costumam dizer que "fulano traiu a minha confiança", mas eu duvido bastante que todos confiem de verdade no outro. Eu tenho uma amiga que quando o marido sai com os filhos, ela liga várias vezes para saber se está tudo bem, se foram ao lugar certo, se comeram, enfim, se estão vivos! O sujeito se irrita por ser tratado como um demente, com razão. A confiança se estabelece (ou não) ao longo da convivência e não é algo criado no início de uma relação. Nós vamos deliberadamente testando o outro durante o período inicial da relação até que em um dado momento acreditamos que podemos confiar plenamente naquela pessoa. Ninguém confia de imediato, quando muito projetamos as nossas expectativas em alguém, mas confiar mesmo... Ah, confiar é pular da ponte, como diria o Sr. T. É se jogar no nada, com todos os motivos do mundo para pensar que tudo aquilo vai dar errado e que o futuro será um desastre. É acreditar no amor do outro apenas porque tem fé. Parece absurdo, mas se não temos uma evidência científica para provar que alguém realmente nos ama e tudo que nos resta são apenas indicativos, o amor pode mesmo ser uma questão de fé... Se alguém nos dá todas as provas de lealdade e honestidade para confiarmos, é moleza. O difícil é confiar sem ter qualquer motivo para isso. Na verdade, não precisamos confiar no outro. Se ele mente e nos decepciona, o problema é dele e não meu. Precisamos confiar é no amor que sentimos, na imensidão do sentimento, na certeza do nosso desejo, mas talvez esse seja o grande passo que não queremos (ou podemos) dar.

sábado, 9 de junho de 2012

As resoluções de Dona Maricota

Dona Maricota está com dificuldades para aprender a ler, mas estamos todos empenhados em fazer com que ela supere os obstáculos e ganhe autonomia no seu processo de aprendizagem. Mamãe acha que ela perdeu um bom tempo em relação aos seus colegas enquanto tentava processar os acontecimentos em sua vida. Estava fisicamente presente na escola, mas a cabeça pairava em outros lugares. Uma das coisas que mais me surpreendeu nela foi o fato de que ela se tornou insegura. Ficou com medo de tudo, aranhas, formigueiros, siri na praia, ondas do mar, barulhos, trovão... Superar os medos não tem sido um processo fácil e tenho a impressão de que a hora que ela recuperar a coragem perdida, as questões cognitivas também vão se resolver. Nas últimas semanas ela tomou algumas decisões importantes por sua própria iniciativa. Convidou uma amiga para passar o dia aqui em casa, combinou com a mãe da menina, organizou a programação e só me comunicou o seu planejamento com um ar de "não estrague tudo, por favor". Deu tudo certo e ela ficou muito mais feliz e segura. Resolveu que queria sair da natação e começou a fazer aulas de judô na escola. Eu tinha certeza que seria um desastre porque ela é muito frágil, mas a professora achou ótimo e todo mundo na escola apoiou. Agora ela quer estudar inglês, só fala nisso e conta os dias para começar as aulas. Eu continuo observando de perto, comprando jogos de palavras para que ela exercite a leitura, contando histórias e ajudando no que eu posso. Entre a angústia e as certezas, vamos caminhando um pouco mais devagar do que eu gostaria, mas com tranquilidade de quem quer acertar sempre. Ela tem uma grande habilidade na cozinha, ontem ela fez um pavê delicioso praticamente sozinha e ficou muito orgulhosa com o resultado. São essas pequenas coisas da vida que nos proporcionam uma felicidade imensa e deveriam ser registradas e resgatadas pelo resto de nossa existência.

domingo, 1 de abril de 2012

O cotidiano

Ontem eu fui caminhar na praia sozinha e fiquei durante vários minutos observando uma família que estava ao meu lado. O pai tinha uma aparência excêntrica: cara de intelectual, negro, barbado, óculos redondos com armação de metal e dreads que chegavam à cintura. A esposa tinha um sotaque paulista, não era muito jovem e ficou meio incomodada com os meus olhares (provavelmente pensando que eu estava paquerando o marido). Eu já tinha a resposta pronta na ponta da língua: não é nada disso que a senhora está pensando... Os dois chamavam a atenção por ser um casal fisicamente diferente e os dois filhinhos pareciam as coisas mais fofas do mundo, o tipo de criança que dá vontade de apertar. Observando a família se divertindo na praia, fiquei com raiva de mim mesma por ainda sentir o coração apertado quando sou obrigada a reavivar as minhas lembranças. Queria não me importar mais, fazer de conta que o tempo levou as lembranças e desapareceu com os meus sentimentos. Eu esqueço de coisas que aconteceram recentemente, esqueço dos meus compromissos, esqueço o dever de casa de D. Maricota, esqueço que tenho que comprar leite no mercado, esqueço quase tudo e ao mesmo tempo não esqueço de nada... Não me lembro de quase nada do meu primeiro casamento, o sujeito continua por aí e é como se não existisse na minha vida. Está feliz, doente, triste ou rico? Absolutamente não me interessa, sou tão indiferente como se fosse uma pessoa estranha. Morto e enterrado para sempre! Porém, com a pessoa que morreu de verdade, é diferente. As lembranças da minha vida com o Sr. T nunca estão esmaecidas ou apagadas e penso que isso acontece porque eu não vivi um cotidiano com experiências que me fizessem substituir as minhas memórias. Quando eu vou à praia, ao banco, ao restaurante japonês, ao Fisl ou em outros lugares que estabelecem uma relação com o passado, sempre estou sozinha. Eu relembro essas vivências sozinha e a sensação de falta ou incompletude surge com intensidade. Preciso criar novas experiências, construir outros cotidianos possíveis para reescrever a minha história. Está mais do que na hora de fechar as lacunas e fazer movimentos concretos para encontrar os pontos de ruptura com o passado.

domingo, 18 de março de 2012

Livros

Eu tenho uma relação muito especial com livros, sempre tive um espaço especial na minha casa para eles, gosto de reler os meus preferidos infinitas vezes e sofro quando eles estão tão velhinhos que não aguentam sequer uma folheada. Entretanto, não sou ciumenta com eles, gosto de emprestar, acho muito importante que eles circulem. O Sr. T tinha vários livros e eu incorporei os títulos mais generalistas na minha estante, mas o que fazer com os livros específicos sobre teatro? No começo do ano passado, prometi ao meu colega de departamento (que é professor de Arte e Educação) que daria os livros do Sr. T para ele. Ele ficou honrado pois conhecia o Sr. T e assim como eu, adora livros. Treze meses depois, quem disse que eu consegui me desfazer dos livros? Eles continuavam lá no quartinho, encaixotados, esperando que eu tivesse coragem de me desfazer deles. Toda vez que eu encontrava com o Professor M. nos corredores da Universidade, ele me perguntava: - E os meus livros?Você desistiu de dar os livros para mim? Como explicar que eu sou uma covarde, uma ratinha inútil que não consegue elaborar algo tão simples como me desfazer de livros? Na sexta-feira passada eu não aguentei mais: sentei no chão do quartinho, conferi os livros um por um para levá-los para a Universidade. Cada vez que eu pegava em cada livro, lia os títulos e encontrava algum papel ou anotação dentro deles, meu coração batia tão forte e pesado que parecia que eu estava morrendo por dentro. Terminei de organizar a caixa de livros aos prantos e eu só conseguia pensar que o tempo não cura absolutamente nada! Ele apenas nos entorpece, nos faz esquecer, embota as nossas memórias para que a dor da perda fique em estado latente. Basta acontecer alguma coisa que acione as memórias relacionadas com a perda para que a dor apareça novamente. Forte, poderosa, devastadora... Quando isso acontece, sempre me sinto enganada pelas pessoas que dizem que a dor passa e que tudo vai acabar bem.Bom, mas como dizem por aí: o que não mata, fortalece!

segunda-feira, 5 de março de 2012

São apenas datas...

Eu não ligo para datas, não costumo me importar com aniversários e outras datas comemorativas. Quero dizer, não me importo além do normal, não sou do tipo que sofre se as pessoas não lembram ou não me cumprimentam. No momento atual, as datas possuem um sentido diferente para mim. São as datas que me conectam ao meu passado, revelam as minhas lembranças e ativam sensações que estavam perdidas. Hoje seria o aniversário do Sr. T e, como me lembrou o Facebook, ele faria 52 anos. Fui à praia sozinha para caminhar e dar um mergulho para equilibrar as energias. O mar estava estranhamente tranquilo, transparente e sem algas ou ondas. Consegui boiar por vários minutos enquanto eu olhava para o céu e sentia a brisa quente. Lembrei dos momentos em que estivemos juntos naquela mesma praia, fazendo exatamente isso: deixando o corpo flutuar no mar enquanto comentávamos que não existia nada entre nós e a África além daquele mar enorme. Chorei tanto dentro da água que pensei que nunca mais ia conseguir parar. Não chorei apenas por causa da minha perda, mas por todas as perdas que tenho passado ao longo da vida. Talvez a maior delas seja quando você acredita que o amor pode ser enorme, intenso, um reencontro de almas, um amor que cura, que pode mudar as pessoas e durar para sempre. Só que não...